
A sociedade contemporânea caracteriza-se pela abundância de informações, pelo desenvolvimento tecnológico acelerado e pela ampliação das possibilidades de escolha e realização individual. Paradoxalmente, observa-se o crescimento de diferentes formas de sofrimento psíquico associadas ao vazio existencial, à exaustão emocional, ao tédio crônico e à perda de propósito. Nesse contexto, o presente estudo investiga a relação entre a crise contemporânea de significado e o surgimento das síndromes de Burnout e Boreout. Fundamentado na Logoterapia de Viktor Frankl e em contribuições da Psicologia, da Psiquiatria, da Psicanálise e da Sociologia contemporânea, o artigo parte da hipótese de que a fragmentação dos referenciais simbólicos, a secularização da cultura e a dificuldade de construção de narrativas existenciais estáveis constituem importantes fatores de vulnerabilidade psicológica. Inicialmente, discute-se o conceito de vazio existencial, compreendido como a experiência subjetiva de desorientação, falta de sentido e sofrimento decorrente da perda de finalidades existenciais. Em seguida, analisam-se o Burnout e o Boreout como manifestações distintas, porém complementares, de uma mesma crise antropológica. Enquanto o Burnout se caracteriza pela exaustão física, emocional e cognitiva decorrente da sobrecarga e da hiperidentificação com o trabalho, o Boreout manifesta-se por meio do tédio ocupacional, da subutilização das capacidades pessoais e da ausência de significado na atividade profissional. A metodologia utilizada consiste em revisão bibliográfica de caráter interdisciplinar, integrando autores das áreas da saúde mental, da filosofia e das ciências humanas. Conclui-se que o Burnout e o Boreout não podem ser compreendidos exclusivamente como fenômenos laborais, mas devem ser analisados também como expressões da crise de significado que atravessa a cultura contemporânea. A recuperação do sentido da existência, do trabalho e das relações humanas revela-se, portanto, elemento fundamental para a promoção da saúde mental, a prevenção do sofrimento psíquico e o fortalecimento da qualidade de vida.
